sexta-feira, 16 de abril de 2010

Relações Interpessoais

Afiliação

Muitas investigações se tem realizado, tendo como objecto de estudo a afiliação, cujo significado se relaciona com “agremiação” ou “agregação social”, contrapondo com a noção de “isolamento”.
O estudioso Stanley Schachter (1959), citado por Neto (2000), partiu da ideia de que os seres humanos sentiam a necessidade de se afiliarem quando sentiam medo.
Após várias experiências, chegou-se à conclusão que a afiliação era motivada por factores como:
- medo;
- ansiedade;
- redução do stress;
- alternativa de reacção perante problemas;
- protecção/ajuda perante a situações novas;
- etc.
Todavia, existem aspectos que podem reduzir a probabilidade de afiliação como é o caso de:
-situações embaraçosas nas quais o indivíduo possa vir a estar envolvido;
-preferência pela privacidade, perante condições/atitudes que podem resultar negativas.
Um estudo demonstrou que, nas famílias, os filhos primogénitos tinham mais tendência para se afiliarem do que os nascidos posteriormente, devido ao facto dos pais terem maior preocupação no nascimento do primeiro filho (facto natural) por ser “novidade” e isso reflecte-se no tipo de relacionamento. Também porque os filhos mais novos vêem os irmãos como “protectores” ou mais “íntimos” do que propriamente os pais e sentem que todos contribuem para o seu bem-estar, eduzindo a ansiedade.
Em conformidade com Robert Weiss (1974), citado por Neto (2000), as relações sociais fornecem ao sujeito:
- vinculação: relações íntimas que geram segurança e conforto;
- integração social: sentimento de pertença a uma comunidade;
-certeza restabelecida de valor: reconhecimento de competência e valores pelos outros;
-sentimento de aliança consistente: certeza de obter ajuda por parte de quem nos é próximo;
-obtenção de encaminhamentos: obtenção de informações ou conselhos por parte de especialistas em determinadas áreas (saúde, educação…);
-oportunidade de educação: responsabilidade pelo bem-estar de outra pessoa.
Também salienta-se que a socialização traz vantagens e uma só relação não preenche todas as nossas necessidades. Por exemplo, a família dá-nos afectividade mas temos que procurar outros relacionamentos para termos uma afectividade mais extensiva, como é o caso da relação de namorados e/ou casamento. Por outro lado, tal como o autor refere, uma relação amorosa pode trazer o sentimento de vinculação mas não o de pertença a uma comunidade.
A afiliação pode originar relações de interesses positiva ou negativamente, ou seja, poderá ser um meio de realização pessoal, mas se se deixar influir por obsessões como a do poder terá consequências desastrosas para o indivíduo, a nível mental ou físico, levando à destruição de relações humanas.

- Neto, F. (2000). Psicologia Social (vol.II). Lisboa: Universidade Aberta.

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