sexta-feira, 23 de julho de 2010

Relações Interpessoais: Agentes, Intencionalidades e Contextos Educativos


Auto-avaliação Reflexiva

Com este trabalho pretende-se concluir o portefólio da Unidade de Relações Interpessoais. Tentou-se construir um trabalho sequencial e as respectivas reflexões. O trabalho desenvolveu-se de forma muito interessante, absorvente e despertando grande interesse e motivação, dando-se um contributo empenhado a todos os trabalhos propostos.
Este Portefólio pretendeu fazer o registo das aprendizagens e vivências pessoais, seguindo as orientações do contrato de aprendizagem, constituindo-se num instrumento pedagógico integrador dos processos e produtos individuais. Demonstra evidencias de que a mestranda: Identificou as ideias centrais dos documentos explorados; Aprofundou as questões e contribuiu com novos pontos de vista, particularmente evidenciados no trabalho da Equipa C e no trabalho final; Apresentou pesquisa pessoal adequada, evidenciado quer nos fóruns quer neste espaço de partilha de conhecimentos e pesquisas; Promoveu a dinamização e a discussão, não sendo de liderança, era de participação activa, quer na participação nos diversos fóruns, na realização do trabalho da Equipa C, e na construção deste Blogue e no trabalho individual; Demonstrou capacidade de colaboração entre pares; Procurou revelar sempre uma postura adequada na relação entre todos os participantes desta comunidade de aprendizagem. Procurou apresentar coerência nas actividades propostas, rigor, capacidade de argumentação e estruturação;
Teve-se em conta os objectivos propostos: Identificar agentes, intencionalidades e especificidades contextuais das interacções em âmbitos educativos e formativos. Analisar as relações interpessoais, em contexto educativo, à luz das perspectivas sistémica e dialógica. Conhecer dimensões fundamentais do conflito e do bulling, em contextos educativos. Conhecer formas de intervenção para uma cultura de convivência em âmbitos educativos. Com a finalidade das aprendizagens ao longo da UC nos levar a atingir as seguintes competências: Identificar matrizes teóricas subjacentes aos diferentes modelos das relações interpessoais, nomeadamente a matriz dialógica; Propor esquemas de intervenção no domínio das relações grupais e diádicas entre professores e alunos, em contexto escolar; Caracterizar diferentes tipos de conflito e de bulling e de perspectivar estratégias de intervenção diferenciadas e adequadas à especificidade de cada contexto.
Deve referir-se que a participação nos fóruns, nos trabalhos de grupo e trabalhos individuais foi muito enriquecedora para todos, desenvolvendo competências tais como reflexão, cooperação, colaboração e espírito de grupo.
A orientação das Professoras foi crucial para o desempenho do grupo, partilhado e sempre muito participativo por todos os seus elementos.


Reflexão Final sobre o roteiro de conteúdos realizado ao longo da UC


No primeiro Tema, “Debates sobre Relações Interpessoais – Afiliação; Vinculação; padrões relacionais”, decorreu entre os dias 15 e 31 de Março, as actividades desenvolvidas relacionaram-se com o estudo individual e debate em fórum. Onde se partilharam e discutiram o resultado das leituras efectuadas e das observações registadas, (cf. orientações de trabalho para o tema 1) neste fórum partilharam-se ideias de Relações interpessoais, afiliação, vinculação, padrões relacionais, aceitação, Reciprocidade, Interdependência, Rejeição e solidariedade.
Este trabalho foi enriquecedor, pela revisão de literatura, e debate em fórum dos temas, permitiu complementar a partilha entre o grande grupo, tendo sido muito participado e enriquecedor. Permitindo identificar e seleccionar a informação relevante para os trabalhos em vista.
Com o segundo tema desenvolvido nesta Unidade Curricular, “Abordagem Comunicacional das Relações Interpessoais”, tendo decorrido entre 05 a 18 Abril. Numa primeira fase, desenvolveram-se actividades individuais de estudo e pesquisa, com o objectivo de fazer uma abordagem comunicativa das relações interpessoais: Interaccionismo Simbólico; Escola de Palo Alto.
Numa segunda parte do trabalho, debateu-se o tema numa discussão grupal em fórum, desenvolveu-se uma análise e reflexão profunda dos temas supracitados, tendo sempre presente o que seria mais adequado na perspectiva de cada um, partilhou-se e discutiu-se os princípios vinculados a cada uma das escolas estudadas com relevância no estudo das Relações Interpessoais, ancorados em exemplos práticos e na bibliografia recomendada e outra (cf. orientações de trabalho).
No que diz respeito ao Tema Três, “Perspectiva Dialógica das Interacções”, entre os dias 19 Abril a 09 Maio, A primeira fase decorreu em estudo individual, pretendeu-se seleccionar informação a partir das pesquisas realizadas, e apropriarmo-nos de informação relevante, acerca de Agentes, intencionalidades e contextos educativos: numa abordagem dialógica das interacções. A segunda fase consistiu num debate e discussão em fórum, sobre o tema referido, tendo-se partilhado e consolidado saberes, tendo sido levantadas algumas questões pertinentes.
Concluímos desta forma que é na relação da teoria com a prática que desponta novo conhecimento, fundamentais para lidar com as novas situações que a escola de hoje enfrenta. A discussão em fórum alargado trouxe sem dúvidas a possibilidade de criar novo conhecimento através das leituras realizadas, da discussão, do confronto e partilha de ideias que levou à reflexão sobre a temática.
O tema quatro, sobre a “Conflito e Intervenção na Escola”, decorreu no período de 10 Maio a 06 Junho, numa primeiro fase decorreu o estudo individual sobre os temas Conflito e Bulling: intervenção para o desenvolvimento na e da escola. A segunda fase consistiu na elaboração de um trabalho de grupo, com o tema Conflito e Bullying: Intervenção para o desenvolvimento na e da escola. O Trabalho de grupo: em grupos de 4 elementos pretendeu que se elaborasse um documento em que se caracterizasse, do ponto de vista teórico, o conflito na Escola e o bullying; caracterizasse uma das propostas de intervenção no conflito apresentadas na obra de E. Costa e P. Matos; Se fizesse uma analise de uma situação de conflito ou um caso de bullying concreto, à luz da proposta sugerida; Se destacasse as diferentes intencionalidades dos actores envolvidos na intervenção da situação de conflito proposta; Distinguisse o discurso opiniático (produzido em alguns media, em particular, na Internet), da abordagem científica desta problemática. A terceira parte, decorreu em fórum alargado sobre a discussão dos trabalhos apresentados pelos diferentes grupos, sobre as propostas de intervenção sugeridas por cada grupo. Foi muito interessante pela sua actualidade, enriquecedor pela partilha de conhecimento e de experiências vividas e da bibliografia consultada, facto verificada pelo elevado número de participações.
Trabalho final da equipa C

Chegando ao final, concretizou-se o trabalho proposto, escrito e individual, consistindo na elaboração de um “Projecto de intervenção para a promoção de culturas de (con)vivência em contextos educativos”. E a conclusão do portefólio digital sob a forma de blogue:

Bibliografia
Asensio, J. M.; Garcia-Carrasco, J.; Cubero, L.; Larrosa, J. (coords.) (2006). La vida emocional. Barcelona: Ariel.
Costa, E., Matos, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta.
Del Prette, A.; Del Prette, Z. (2007). Psicologia das relações interpessoais (6ª ed.).Petrópolis: Editora Vozes.
Gallego, S.; Riart, J. (coords.) (2006). La tutoria y la orientación en el siglo XXI. Nuevas propuestas. Barcelona: Ocatedro.
Griffin, E. (2006). A First Look at Communication Theory. McGraw-Hill (6ª ed.) http://www.afirstlook.com/main.cfm.
Neto, F. (2002). Psicologia Social. Lisboa: Univ Aberta.
Urra, J. (2007). O pequeno ditador. Da criança mimada ao adolescente agressivo (2ª ed.) Lisboa: A esfera dos livros.

Considerações finais
Esta Unidade Curricular foi bastante interessante e muito enriquecedora, as relações interpessoais são uma problemática actual, no desenvolvimento pessoal do aluno e professor e profissional do professor que, continuamente terá que se actualizar face aos problemas com que se depara no seu dia-a-dia, esta aprendizagem permitirá geri-los de forma adequada e mais eficaz, com metodologias e recursos inerentes. Contribuindo assim para a melhoria das práticas pedagógicas e dinâmicas conducentes ao sucesso escolar.
Considerou-se a metodologia ajustada, onde prevaleceu uma aprendizagem auto-dirigida, colaborativa em grupo. O estudo individual permitiu através das leituras efectuadas a aquisição de conhecimentos, levando a uma reflexão pessoal e grupal, permitindo a discussão crítica nos fóruns acerca dos temas propostos, tornando-se muito enriquecedores, na medida em que o intercâmbio de informação a partilha de conhecimento resultou bastante.
Não faltou a reflexão crítica acerca das temáticas referidas, procedimentos a utilizar tomando-se consciência de que as competências adquiridas, terão de desenvolver continuamente, sendo uma mais-valia para a evolução social e sucesso escolar. O trabalho desta U.C. foi muito gratificante e desenvolvendo-se uma participação empenhada. Na minha opinião, foi uma actividade muito bem conseguida, uma vez que me “obrigou” a debruçar afincadamente sobre a temática, penso ter adquirido as competências pretendidas. levando-me ao conhecimento e à reflexão conjunta sobre o tema, a revisão da bibliografia, a partilha através da discussão construtiva foram cruciais para o seu sucesso, todos saíram enriquecidos.
Reflectindo acerca da minha participação nos diversos trabalhos, de grupo, individuais e em fórum, a minha atitude foi de atenção, reflexão constante e de apreensão de tudo o que ia sendo discutido e analisado. Talvez por uma questão de personalidade e maneira de ser, mantive-me numa posição que, não sendo de liderança, era de participação activa, tendo as minhas opiniões sido levadas em linha de conta.
Na minha vida profissional, e não só, tenho encarado o trabalho de grupo e de partilha como uma das metodologias de trabalho mais enriquecedoras que conheço, uma vez que considero que o velho ditado “Duas cabeças pensam melhor que uma só” deve ser tido em conta no contexto educacional. Neste caso específico, considero que todos os trabalhos contribuíram para a construção do conhecimento, aprendizagem, enriquecimento e ainda promoveram o desenvolvimento pessoal e profissional. Esta Unidade, contribuiu para o aperfeiçoamento das minhas práticas pedagógicas. Este aperfeiçoamento irá permitir-me um melhor desempenho profissional que, por sua vez, irá reflectir-se na aquisição das Competências que devem ser progressivamente desenvolvidas.
Agradeço às professoras Luísa Aires e Susana Henriques, toda a disponibilidade dispensada aos formandos, tanto no esclarecimento de dúvidas como na forma como orientaram esta Unidade Curricular, bem como aos colegas que se empenharam para que os trabalhos, nomeadamente os de grupo e a discussão em fórum, se concretizassem com uma grande participação, cooperação e partilha de saberes e experiências vividas que a todos nós enriqueceu.

Muito obrigada a todos.

Projecto de intervenção para a promoção de uma Cultura de Convivência, num contexto educativo específico

Trabalho Final RI ManuelaPereira

Regulamento do Projecto de Tutoria

Regulamento de Tutoria-ManuelaPereira

Conflito e Bullying: Trabalho de grupo

Trabalho Final Equipa C

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Tema 4- Conflito e Intervenção na Escola

O bullying

O bullying que atinge hoje em dia a população escolar, parece estar relacionado com o insucesso escolar e famílias desestruturadas, as agressões parecem muitas vezes não terem motivos visíveis, apenas o prazer de o exercer, está a aterrorizar as escolas e a constituir-se num problema grave, creio que se deverá actuar de imediato talvez na formação dos operacionais que acompanham os alunos nos intervalos, pois é no espaço do recreio que surgem estas situações, a acção de psicólogos e profissionais de saúde, em acções de sensibilização e formação ajudem a atenuar o problema, a encontrar as causas e a prestar ajuda aos autores; esta medida parece-me o ponto de partida para a identificação e resolução do problema, que a todos incomoda e sem soluções para o resolver.
Quer os Funcionários, quer os professores estão preparados para lidar com esta situação relativamente nova? mas se não se providenciar no sentido de a identificar e resolver poderá ser um problema social difícil de controlar, não podemos esquecer que estes alunos ao sair da escola correm o risco de se tornar marginais e nesse âmbito o problema é muito mais difícil de controlar e resolver.
Penso que será em meio escolar que se deverá actuar de imediato, é na escola que se formam os cidadãos e onde ainda poderá haver controlo e possibilidades de formação, a partir do momento que saem para o exterior o problema será maior e incontrolável.
Os docentes à semelhança dos alunos começaram a ser vitimas, pouco ou nada podem fazer, por um lado não têm formação, por outro a barreira legislativa não os deixa actuar.
As agressões que assumem a forma física ou verbal, tem de ser combatidas, professores, legisladores e sociedade em geral deverá dar atenção ao fenómeno e encontrar a melhor solução para o resolver.
Quanto mais cedo se identificar o problema, maiores serão as probabilidades de o resolver de forma a construirmos uma sociedade estável, com menos problemas de grupos marginais.
Dando continuidade à reflexão
À luz da teoria as escolas não podem centrar a sua preocupação meramente nos resultados académicos, mas terá de se interessar mais pelas atitudes e comportamentos dos alunos.
A escola terá de se organizar e estruturar de forma a existir interacção social entre todos a comunidade educativa: pais, funcionários, alunos, e professores.
Vivemos numa sociedade de consumo, onde os pais tem de trabalhar cada vez mais horas e ficam sem tempo para os seus filhos, delegam na escola toda a responsabilidade e a escola não está preparada para substituir a família. Cada um tem de assumir o seu papel, mas é necessário que a estrutura social assim o permita e que as escolas se dediquem mais aos problemas dos alunos e não apenas às estatísticas dos resultados.
Os alunos e os professores se estiverem motivados os resultados serão certamente melhores, também se os alunos se interessarem pelos assuntos escolares trabalham, daí que os ambientes escolares são fundamentais para o crescimento pessoal dos alunos e um contributo social.

O bulling acontece quando o bully apresenta sintomas de:• agressividade;
• frustração;
• julga-se superior e sobrevaloriza-se;
• não sabe escutar, nem ouvir;
• Arrogante e intolerante;
• educação permissiva (autoritária);
• insegurança;
• Vingança;
• Falta de respeito pelos outros e por si próprio;
• falta de auto-domínio;
• reage mal às criticas de qualquer teor;
• Faz críticas destrutivas;
• Os outros são sempre culpados;
• Meio social onde não aprendeu a dominar os comportamentos agressivos.
Reflectindo em torno do comportamento humano:
O comportamento agressivo será em norma uma resposta à frustração, desde os meios de comunicação social aos mais altos responsáveis da Nação, a agressividade verbal muitas vezes refinada como forma de agredir o outro, está a tomar proporções preocupantes e um ciclo vicioso, na tentativa de marcar posição e de dizer ao outro que é mais forte, não poderemos esquecer que os exemplos vêm de cima.
Este tipo de agressão verbal que nos entra casa dentro pode em certos meios levar a comportamentos de agressão física, além da verbal.
A agressividade é fruto de descontrole emocional e pouco saudável para resolver os problemas, as pessoas mais inteligentes em norma dominam melhor as suas emoções e impulsos negativos.
Segundo alguns investigadores e certas teorias o comportamento agressivo é uma tendência natural e espontânea, o indivíduo nasce com “instinto de agressão”, que o leva ao confronto e à violência sempre que há confronto de ideias, assim será através da aprendizagem social que os comportamentos agressivos se mantém ou eliminam.
As crianças aprendem também pelo que observam e tendem a imitar o que vêem, os maus exemplos são por norma repetidos em meios sociais que os praticam, acrescido do facto dos exemplos fornecidos pelos meios de comunicação social diariamente.
Existem estudos sobre a matéria que defendem que as crianças educadas com agressividade se tornaram agressivas no futuro, mas basta observarmos o nosso meio de trabalho e verificar, as crianças com famílias onde a agressividade é uma constante por norma tornam-se agressivas.
Os comportamentos agressivos poderão ser explicados por factores diversos como por exemplo a frustração, a educação permissiva, as carências afectivas e a insegurança.
Terá a ver com as causas do Bulling?

Soluções ???

Violência na Escola - Para reflectir

É necessário que não se associe o bullying a coisas de miúdos


"É necessário que não se associe o bullying a coisas de miúdos"
Sara R. Oliveira 2010-04-05

Tânia Paias, psicóloga clínica e coordenadora do Portal Bullying, defende que é preciso desconstruir conceitos, trabalhar as emoções e debater questões de cidadania nas salas de aula.


A importância dos Professores e da Escola


Para reflectir:

Na sala de aula é que se muda um cidadão e se forma uma Nação.

A Escola de Paulo Freire
LivroClip O Pequeno Príncipe

Belíssima apresentação de um livro maravilhoso!!

A importância da literatua, de criar laços e de cativar...

Tema 4- Conflito e Intervenção na Escola

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Tema 4- Conflito e Intervenção na Escola

Síntese das leituras recomendadas

Costa & Matos (2007:80) apresenta a proposta de Stevahn (2004), de integrar no currículo programas que permitam o desenvolvimento moral e social. A abordagem proposta implica a revisão dos conteúdos programáticos integrando nestes os dilemas que apelem ao uso de procedimentos de negociação e mediação construtiva para resolver conflitos. Este autor propõe o programa TSP ( Teachuing Studants to be Peacemakers) jonhson & jonhson (1995). Aponta cinco fases para atingir objectivos:
1- Estabelecer condições cooperativas na turma;
2- Definir o conflito e ensinar os alunos a identificarem exemplos concretos no currículo;
3-Ensinar procedimentos de negociação e mediação e praticar a resolução de conflitos;
4- Processar a eficácia de cada prática, promovendo o refinar das competências para uso futuro;
5- Finalmente resolver construtivamente conflitos reais que ocorram nas turmas ou na escola.
O que se pretende é conciliar a aprendizagem dos conteúdos teóricos com a resolução de problemas através de uma metodologia construtivista.
As estratégias passam pelas reuniões de turma, centro de resolução de conflitos, onde deverá ser usado um discurso na primeira pessoa para cativar o jovem, o saber escutar, e o mais importante o treino de mediação de pares para alunos, o vocabulário afectivo, a comunicação positiva em situações de conflito. Os estudos tem revelado que estas medidas trazem mais-valia ao nível do desenvolvimento do raciocínio, contrariamente onde foi aplicada a técnica da comparação.
O treino na resolução de conflitos, contribui para as mudanças de comportamento específico relacionado com a escola, levando a escolhas comportamentais e valores aceitáveis além do ganho nos aspectos cognitivos, envolve o desenvolvimento social e moral dos alunos, melhora o raciocínio em contexto, o que pode melhorar o comportamento destes alunos fora da escola.
(Pianta, 1999), citado em Costa & Matos (2007:86) aponta outra forma de abordagem sistémica para a resolução do conflito, partindo do pressuposto que a analise do sistema relacional criança/professor, permite a compreensão do sistema relacional na escola ( e também em casa).
Este modelo pressupõe que a relação professor/aluno não se fica pela interacção entre ambos, referindo os seguintes componentes primários da relação:
a) Características individuais do aluno e do professor, como: o temperamento, a personalidade, atribuições, auto-conceito, história desenvolvimental, crenças entre outros;
b) As representações que cada um tem na relação;
c) Os processos de troca de informação, como a linguagem e a comunicação;
d) Influências externas sobre o sistema em que as coisas acontecem, as outras turmas, a escola, a comunidade, a família, os pares. Estas influências têm interferências umas nas outras, as trocas de informação, o temperamento e as influências externas estão interligadas com as representações que ambas as partes têm da relação. No entanto os intervenientes não estão ao mesmo nível desenvolvimental, há por isso diferentes responsabilidades, na qualidade da relação.
Aqui aparecem os exemplos de professores e histórias em que um ou outro marcou a sua personalidade de forma positiva ou negativa.Quando os professores estão atentos e apoiam as necessidades emocionais dos alunos, estes sentem a escola sua, gostam mais dela, sentem mais segurança.
Esta perspectiva coloca o professor a reproduzir um papel de algum professor que o marco, considerando que a informação é solução para os problemas, quer se trate de sida de droga ou de outros. No entanto, a investigação vem demonstrando que o conhecimento não controla os comportamentos de risco. Então porquê continuar com estas metodologias? Que alterações se deve introduzir?
Passar de informadores a formadores comporta mais dificuldades, maior investimento emocional e o professor nem sempre se considera preparado. Alguns autores consideram que são ineficazes algumas das estratégias usadas e colocam ênfase na dimensão desenvolvimental dos elementos que constituem o sistema de relações, nomeadamente nas suas interacções dinâmicas e em constante mudança no contexto escolar. O conflito resolve-se promovendo o desenvolvimento psicossocial de todos os elementos que constituem o sistema, numa actuação proactiva a diferentes níveis e que dá competências aos seus indivíduos para construírem as suas vidas. Desta forma, as estratégias terão de ser orientadas para intervir no momento mas com vista ao desenvolvimento dos elementos que constituem o sistema, na sua essência de individualidade, sem estandardização e com o objectivo de modular comportamentos.
A proposta de Coleman e Deutsch de um modelo com diferentes níveis de análise
Uma abordagem sistémica para a mudança da escola:
1. Disciplina
2. Currículo
3. Pedagogia
4. Cultura escolar
5. Comunidade
A mudança implica a intervenção a todos os níveis do sistema escolar, o caminho não se faz isoladamente, mas com experiencias continuadas de resolução construtiva de conflitos, no âmbito das diferentes áreas disciplinares, na criação de um ambiente escolar vantajoso à aprendizagem, o que se pretende será construir uma escola que sirva de modelo aos alunos. Estas experiências irão permitir o desenvolvimento de atitudes e competências nos alunos, de forma a resistir às influências contraditórias que vem de fora do espaço escolar, permitirá aos alunos a preparação necessária para a cooperação com os outros na resolução construtiva de conflitos, capazes de exercer as funções sociais e generaliza-las. Promovendo desta forma atitudes e valores conhecimentos e competências. As suas intervenções irão centrar-se nos valores de interdependência social positiva, não-violência e justiça social.
A disciplina, consistirá nos programas de mediação de pares, para tal terão de possuir formação e supervisão de acompanhamento, a fim de preparar os alunos e professores escolhidos para servirem de mediadores. Pois os conflitos não se restringem aos alunos poderão ocorrer entre alunos/professores, pais/professores, professores/administradores. A tentativa de resolver estas situações obriga a que a formação dos mediadores incida nos princípios da resolução construtiva dos conflitos e se apoie em regras que todos conheçam. Os centros de mediação que se deveriam constituir nas escolas desta forma, devem ser divulgados de forma a que a comunidade conheça a sua existência e o que se propõem atingir, a fim de ter efeitos positivos, quer ao nível dos alunos como da restante comunidade educativa e seja verdadeiramente eficaz e contribuam para satisfação dos envolvidos no processo, resolvendo os conflitos pessoais, valores psicossociais, agressividade. Os alunos mediadores adquirem maior auto-estima e autoconfiança, assertividade face à escola. A escola ganha com a diminuição dos processos disciplinares e melhoria dos ambientes de aprendizagem quer a nível cognitivo quer de valores como a amizade, desenvolvendo-se no global um clima positivo.
O currículo, passa pela constituição de programas dirigidos aos alunos que têm a ver com a resolução de conflitos e a forma de e os minimizar e dissolver, para isso os currículos inserem temas relativos á compreensão da existência dos conflitos, as causas, a forma de comunicar, de lidar com a fúria, a cooperação, assertividade, consciência das diferenças, diversidade cultural, resolução de conflitos e pacificação, sempre de acordo com as características dos alunos. O processo terá de ser cooperativo para ser eficaz.
O aluno é ensinado a:
1. Perceber o tipo de conflito;
2. Tomar consciência das causas e consequências,
3. Enfrentar conflitos;
4. Respeitar-se a si próprio e aos outros;
5. Evitar o etnocentrismo, compreender e aceitar a diferença cultural;
6. Distinguir entre “interesses” e “posições”
7. Explorar os seus interesses e os do outro;
8. Definir os interesses em conflito como um problema mútuo;
9. Ouvir atentamente e falar de forma a ser compreendido meta-comunicado;
10. Estar atento às tendências naturais para enviesar, de forma a evitar mal entendidos e comportamentos agressivos.
11. Desenvolver competências para lidar com situações difíceis, ganhar confiança e segurança, de forma a resolve-los construtivamente;
12. Conhecer-se a si próprio para melhorar as suas atitudes e compreender os seus pontos fracos e fortes, de forma a não criar e melhor evitar conflitos;
13. Ganhar a capacidade de compreender o outro e ter a capacidade de ajudar.
Estas intervenções revelam-se positivas quer a nível pessoal quer transpessoal (Deutsch,1993, Roderick, 1998).
No que refere à pedagogia defende-se o uso de estratégias de aprendizagem cooperativa em contraponto com as disciplinas regulares.
A aprendizagem cooperativa constitui-se por interdependência positiva, segundo (Johnson, Johnson & Holubec, 1986) apresenta cinco aspectos chave: interacção face a face, processamento ou análise do funcionamento dos grupos de aprendizagem.
Segundo (Bessa & Fontaine, 2002), as experiências da aprendizagem cooperativa, produz resultados superiores, quando comparada com a aprendizagem competitiva e individualista. É para isso necessário mudar a estrutura e funcionamento da escola e da sala de aula, de novas estratégias por parte dos professores, traduz-se numa aprendizagem de competências que ajudam a valorizar o outro e a si mesmo, na perspectiva social, emocional e cognitiva. Apresentam-se alguns mitos em relação a este tipo de aprendizagem, que poderá ser entendido como um entrave à mudança, pois a solidariedade desenvolvida no ensino cooperativo é saudável e contribuirá para a criação de uma sociedade mais justa e equilibrada, não descurando a exigência e as capacidades de cada um.
A cultura escolar é um dos aspectos importantes, tem a ver com os indivíduos que já saíram da escola e no que transmitem aos discentes e seus educandos, em sociedades com uma cultura escolar elevada a formação supera em muito os problemas.
A sociedade é também um pilar básico para que o sistema de ensino funcione que terá de ser adaptado á realidade, é necessário o envolvimento da sociedade do poder político, na motivação do interesse pela escola, é um olhar para a escola como motor de desenvolvimento a todos os níveis, detentora de um sistema aberto á comunidade, utilizando estratégias criativas adaptadas aos contextos que lhe surgem, assumindo uma identidade própria, cada caso é um caso diferente.
A resolução dos problemas passa pela existência de equipas multidisciplinares, com técnicos consultores, colaboradores, que facilitem a funcionalidade da comunicação, apresentando-se numa postura neutral.
Estes modelos levam à necessidade de uma intervenção no sistema escolar, da necessidade de encorajar a colaboração, e a construção de relações de respeito entre todos os intervenientes, em que todos se sentem actores com a consciência de que fazem parte de um todo que trabalha em equipa para um fim comum.

- Costa, E.; Matos, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta.pp.75-120.

Será este o caminho da mudança?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Tema 4- Conflito e Intervenção na Escola



LINHAS DE PENSAMENTO (Reflexão):
Pais:
- Que modelos são para os seus filhos?
- Que educação possuem, além da formação académica?
- Como premiam/penalizam as atitudes dos seus filhos?
- Que atenção disponibilizam ao desenvolvimento dos seus filhos?

Professores:
- Que atitudes adoptam perante o comportamento desajustado?
- Comportamento desajustado = prémio (saída da sala)? -para muitos alunos a isso equivale, pois as aulas são uma “seca”.
- Que metodologias educativas são utilizadas? Já estamos no séc. XXI, mas há muito Bom docente que ainda não se lembrou disso.

Alunos:
- Quem os ouve? Todos falam na sala de aula – será uma necessidade intrínseca ou o reflexo de anos excessivos de permissividade por parte do sistema? (Também não é de estranhar, sempre viveram num sistema ultra permissivo: de progressão escolar, de absentismo, … ah! E já agora, de saltar anos escolares!)
- Que consequência obtêm das suas acções? (Sai da sala: ou é o excomungado, o sortudo, o herói, o coitadinho… muitos papéis pode ansiar. Quem os conhece, ou seja, que sabe verdadeiramente o que aquele aluno vive e necessita – muitos dos docentes só se lembram que tem que cumprir a planificação da disciplina até à data de…). Será que os alunos têm efectivamente uma consequência das suas acções? Ou continuamos a nadar nesta permissividade nacional em que os prevaricadores são sempre e para todo o além impunes?

Escola:
- Como estabelece e faz cumprir o órgão de gestão escolar, a disciplina e o funcionamento? (alunos, funcionários, pais?...)
- Como promove a partilha, troca de experiências entre todos?
- Como implementa uniformidade de procedimentos?
- Como avalia/intervém perante “casos difíceis” de comportamento?

Legislador:
Sabe o que se passa nas escolas?
Terá também responsabilidades?

Estamos num ciclo, desde o legislador, escola, família, estrutura social, muito há a fazer em todas as estruturas, desde a social, a política, a económica e a educacional.

Sintese reflexiva:

O discurso opinático dos média, em alguns casos apenas com o interesse de exploração do assunto para o aumento de audiências, mas também apresenta o aspecto positivo na importância da divulgação do fenómeno o que contribuirá para chamar a atenção da sociedade e chamar os todos os responsáveis a tomar medidas no sentido de resolver ou pelo menos minimizar o problema.
A escola é o pilar básico da formação social, é também o reflexo da sociedade. Todos os intervenientes no sistema educativo são responsáveis, desde o poder político à sociedade em geral, aos professores, às famílias, aos alunos, e á estrutura escolar, é necessário que a intervenção aconteça desde a origem do problema que é complexo, de forma transversal e de modo estruturado e consistente e não apenas com medidas de remediação. Tal como cita Urra (2007: 332) «A responsabilidade do que está a ocorrer nas nossas escolas é o resultado da interacção de uma série de factores nos quais estamos incluídos, directa ou indirectamente.”
O conflito existe na escola e na sociedade, o importante é agir de forma a prevenir o fenómeno de outra forma a tendência será para que aumente, a vontade política é sem dúvida uma das alternativas de solução, A família é um factor fundamental nesta temática, terá de ser apoiada para que a sua acção seja eficaz, há que esclarecer o porquê do fenómeno, para depois o resolver.
A Escola nunca poderá estar isolada da comunidade, mas em interacção estreita com ela. Todos os agentes educativos, sociais, económicos e políticos terão de assumir uma gestão concertada e com critérios bem definidos, tendo em vista a solução do problema.
A Escola é o pilar básico da sociedade que queremos, é por ela que passam todos os profissionais, é nela que se deve investir de forma organizada, com directrizes claras no sentido do crescimento social sustentável.

Pattie Maes apresenta o "Sexto Sentido", tecnologia/jogo



http://www.ted.com/talks/pattie_maes_demos_the_sixth_sense.html

Novas formas de comunicação: fixão ou será a realidade no futuro.

Tema 3- Perspectiva Dialógica das Interacções



O conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal

Vygotsky nos seus estudos sobre o desenvolvimento humano foi o primeiro psicólogo moderno a sugerir que a cultura é parte integrante de cada pessoa, as funções psicológicas são produto da actividade cerebral. Para ele o sujeito é interactivo adquire conhecimentos pela interacção com o meio intra e interpessoais, foi este aspecto um dos centros dos seus estudos.
Vygotksy afirma que o processo de aprendizagem não se deve focalizar no que a criança aprendeu, mas no que ela está a aprender ou vai aprender. A aprendizagem é um processo de transformação constante na vida das crianças. Assim o ensino deve centrar-se no que os discentes estão a aprender e não no que já aprenderam.
Vygotsky refere que o processo de desenvolvimento não coincide com o de aprendizagem. Existe uma assintonia entre o processo de desenvolvimento e o de aprendizagem que o precede. Desta assintonia a ZDP é uma área de dissonância cognitiva que corresponde ao potencial do aprendente. A ZDP foi introduzida por Vygotsky, para relacionar a psicologia educacional: avaliação cognitiva das crianças e a avaliação das práticas de instrução. Para verificar o nível de desempenho individual da criança e o nível a que seriam capazes de chegar se funcionassem interpsicologicamente. A ZDP permite delinear o futuro da criança e o seu estado dinâmico de desenvolvimento.
É através da interacção social que a criança se adapta ao mundo das relações interpessoais. Os docentes promovem a mediação cultural e o desenvolvimento das crianças, através de vários recursos a cultura em que se insere o aluno, é também na sala de aula que os alunos entram em contacto com a herança cultural. Vygotsky traz um conceito importante para a relação professor-aluno: a Zona de Desenvolvimento Proximal, o trabalho do professor situa-se neste espaço intermediário, como se o docente partisse do que a criança já é capaz de realizar, impulsionando-a, estimulando-a a ir além de suas capacidades no momento, respeitando os seus limites, e o seu ritmo, as suas experiências e levando-o a ultrapassar novos horizontes a cada momento. É necessário conhecer o nível de desenvolvimento da criança e o seu percurso dentro desse processo.
A escola é o espaço privilegiado onde ocorrem as mais variadas inter-relações, ao longo dos anos a instituição escola passou por várias mudanças em suas relações de convivências, escola / professor, escola / aluno, aluno / aluno e professor / aluno e essas relações mudam com o tempo e as mudanças são visíveis nas Tendências Pedagógicas, cada tendência tem as suas características próprias e definem bem as relações interpessoais no âmbito escolar.
A relação professor-aluno é um dos aspectos mais importantes que contribui para o desenvolvimento da aprendizagem.
O pensamento de Vygotsky centra-se no aluno e na relação professor/aluno, deverá ser uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. Ao aluno deve ser dada a possibilidade de interagir na construção do seu cnhecimento; o docente tem um deve considerar o que o aluno já sabe, como profissional deve usar a sua experiência como mediador, para levar o aluno à descoberta, à autonomia. O docente deve criar uma relação professor/aluno, aluno/aluno de modo a promover aprendizagens significativas e promovam o progresso e o desenvolvimento do discente. Para Vygotsky, a construção do conhecimento é um acto interactivo, Vygotsky conceituou o desenvolvimento intelectual de cada pessoa em dois níveis: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou formado, que determina o que a criança já é capaz de fazer por si própria porque já tem um conhecimento consolidado. O potencial é quando a criança ainda não aprendeu um determinado assunto, mas está próximo de aprender, e é nesta fase que é necessária a ajuda do docente ou de outras pessoas. o aluno para construir novos conhecimentos precisa sempre de alguém que o ajude, o docente deve mediar, promover um trabalho cooperante entre colegas, que favoreça a zona de Desenvolvimento Proximal. Vygotsky acreditava que a Zona de Desenvolvimento Proximal existe no bom senso do professor. O docente contribui de forma construtiva na aprendizagem do educando de forma a contribuir para o sucesso. O docente interfere assim na Zona de Desenvolvimento Proximal do aluno, através da metodologia utilizada em que a linguagem assume papel fundamental, como defende Vygotsky.

Teoria da Actividade

A teoria da actividade pretende compreender as relações dialécticas entre o indivíduo e a estrutura social, está em crescimento e com grande aceitação, a mudança dentro do espaço sala de aula e a sua compreensão, tem importância no sentido de se entender as mudanças de práticas, que vão além da legislação e do sentido político, será o espaço privilegiado de aprendizagem e que se reflecte na educação, é o espaço onde ocorrem todas as aprendizagens os princípios fundamentais desta teoria tiveram como precursor a escola de e os trabalhos de Vygotsky.
A sala de aula continua a ser o laboratório de investigação para relacionar os elementos fundamentais desta teoria (trabalho de alunos e professores, processos de ensino e resultados). A sala de aula é assim uma unidade de análise e sistema de actividade para se compreender de forma sistémica, integrada e profunda, as práticas lectivas, e os sistemas de avaliação das aprendizagens dos alunos e ainda verificar se ocorrem mudanças de estratégias e em especial no domínio da avaliação.
“(…)Trata-se de conceptualizar a sala de aula como um sistema de actividade para que a multiplicidade de relações existentes entre os seus elementos (e.g.alunos, professores, artefactos, regras) possam ser melhor compreendidas(...)” (Fernandes:88).
Este assunto tem sido alvo de alguns estudos e produzidas várias teses e dissertações e é necessário que se continue a estudar o tema.
Com os estudos realizados tem-se vindo a concluir que a avaliação formativa ainda não está generalizada nas escolas como seria desejável e não está inserida nas práticas lectivas diárias. Refere-se a falta de tempo, de formação, necessidade de cumprir o programa. A avaliação formativa deveria ser uma prática corrente e partilhada entre professores, alunos e encarregados de educação.
Na minha opinião a avaliação formativa inserida nas práticas lectivas terá um papel decisivo na melhoria das aprendizagens dos alunos.


Modelo triangular da teoria da actividade:
Desenvolvimento Humano

O desenvolvimento humano é uma evolução ao longo do ciclo de vida e nem sempre é linear, interfere com diversos campos o afectivo, cognitivo, social e motor. Não depende apenas de processos de maturação biológicos e genéticos, mas também pelo meio (entendido aqui no conceito amplo), envolvendo a cultura, a sociedade, e as interacções do indivíduo com esse meio. Os seres humanos são diferentes nas diversas zonas do planeta, diferenciando-se da cultura onde nascem e desenvolvem e do meio, aqui entendido como conceito amplo, pois envolve a cultura, a sociedade, os hábitos e a interacção factor de máxima importância na influência no desenvolvimento humano.
Existem ainda discordâncias acerca da maturação biológica e da aprendizagem com o meio no desenvolvimento, mas as principais evoluções acontecem no meio em que o individuo se desenvolve, através da interacção social, o ser humano desenvolve-se conforme as ferramentas que o mundo lhe disponibiliza, daí que o contexto cultural seja o elemento complexo de desenvolvimento, durante todo o ciclo de vida do ser humano, através dele criamos, inovamos, agimos, tendo assim a possibilidade de um desenvolvimento complexo.


Referências bibliográficas
Fernandes, Domingos (2009). Avalição das aprendizagens em Portugal: investigação e teoria da actividade. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 09, pp.87100. [Consultado em 06MAI2010] em http://sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/Revista%209%20DFernandes%20PTG.pdf

Fino, C. N. (2001). “Vygotsky e a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP): três implicações pedagógicas”. Revista Portuguesa de Educação, vol 14, nº 2, pp. 273-291.

RABELLO, E.T. e PASSOS, J. S. em Vygotsky e o desenvolvimento humano. Disponível acedido em 4 de Maio de 2010

Ver orientações em e documentos no Tema 3- Perspectiva Dialógica das Interacções da Unidade Relações Interpessoais-AICE (MSVP010)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Perspectiva Dialógica das Interacções

A importância da tutoria nas escolas
A tutoria está definida por lei para apoio de alunos carenciados e com famílias disfuncionais, é necessária e como muito bem retrata a Olga é residual nas nossas escolas, raramente se tem a possibilidade de requisitar horas para o efeito e quando se propõe para o aluno X, uma tutoria é de imediato referido que não existem horas.
Quando existem, em casos muito pontuais, tem-se revelado um trabalho muito positivo para orientação e crescimento pessoal do aluno, por vezes os alunos para atingirem sucesso e interesse na escola precisam apenas de ser despertados para tal, esse trabalho pertenceria à família, mas quando o aluno não tem essa família de suporte?
O professor pode utilizar os próprios alunos como tutores (par-tutor) é uma forma de aprendizagem mediada pelos pares, aprendizagem auto-regulada e supervisionada pelo professor, esta forma de interacção pode também trazer bons resultados. Eu própria já utilizei esta metodologia na sala de estudo e os resultados forma excelentes, os alunos sente-se à vontade com os colegas e percebem que os assuntos não são tão difíceis, que afinal até percebem, precisam apenas de um empurrãozinho (isto quando se trata de alunos que querem aprender, porque com os que não querem…) e o aluno tutor ainda tem mais ganhos do que o tutorado, pois consolida ainda melhor os conceitos e percebe que pode descobrir mais do que lhe é ensinado, ele próprio pode descobrir.
O Professor Tutor deveria ser prática corrente nas escolas e ter como responsabilidade contribuir para a formação integral do aluno e melhoria do seu sucesso escolar tendo em vista a integração na sociedade e no trabalho. Assim deveria articular entre o contexto de aprendizagem escolar e o profissional, de forma a permitir que o aluno adquira competências e saberes para aplicar na vida activa. Os três pilares das vias qualificantes são: sucesso escolar, reforçar a ligação entre o núcleo escolar e o núcleo empresarial, gerar emprego.
____________________
Fernandes, Domingos (2009). Avaliação das aprendizagens em Portugal: investigao e teoria da actividade. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 09, pp.87100. [Consultado em 06MAI2010] em http://sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/Revista%209%20DFernandes%20PTG.pdf sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/Revista%209%20DFernandes%20PTG.pdf


Reflexão sobre a importância da tutoria nas nossas escolas

O Decreto Regulamentar n.º 10/99, de 21 de Julho, prevê a tutoria como uma estratégia/acção para ultrapassar o insucesso ou abandono escolar dos alunos. A tutoria dá função de tutor a um professor, permitindo-lhe autonomia de acção, perante as dificuldades/necessidades de um ou mais alunos e fazendo intervir ainda mais os encarregados de educação, bem como pedindo a colaboração da restante comunidade educativa.
A nível nacional, há casos de estabelecimentos escolares que levaram a cabo a tutoria, englobando-a no seu Regimento Interno, tendo como um dos exemplos a Escola Secundária de Odivelas.
Neste sentido, a escola referida elaborou um Plano de Acção Tutorial (PAT), com a finalidade de resolver problemas de aprendizagem, garantir a sua integração e promover atitudes de civismo evitando situações de conflito entre alunos.
O papel do professor tutor foi definido a partir de determinadas intenções fundamentais:
 Promoção de boas relações entre escola-família, professor/alunos;
 Mediação de situações de conflito;
 Criação de um ambiente de aprendizagem proporcionador de experiências enriquecedoras, a fim de tornar os alunos responsáveis e autónomos;
 Procura de soluções em agentes externos/comunidade.
As actividades deveriam ser realizadas com alunos (Ex. Assembleia de Turma, actividades de índole cívica), com encarregados de educação (ex. Reuniões e Sessões de Esclarecimento) e com os professores (Ex. Diagnóstico das características dos alunos e Planificação de actividades conjuntas), definindo-se tempos para as mesmas.
Em conformidade com Ramirez et al (sd), têm sido realizados estudo de campo acerca da tutoria, da forma como é implementada e dos resultados obtidos.
Teve-se em conta:
 a opinião dos alunos face a esta acção;
 a relação entre professor e tutor;
 o facto dos professores se preocuparem mais com os conteúdos a dar do que com os interesses e necessidades dos alunos.
Foram realizados inquéritos, entrevistas e registos diversificados.
Este trabalho de campo constitui-se frutífero, pois contribuiu para um melhor conhecimento acerca dos alunos e dos professores, das suas dificuldades e anseios, da forma como encaram o seu papel na escola e o que gostariam de mudar para torná-la melhor, criando condições favoráveis para as aprendizagens.




É necessário refletir sobre a prática pedagógica para realizar uma aprendizagem real e significativa.

Abordagem Comunicacional das Relações Interpessoais

Interaccionismo Simbólico e a Escola de Palo Alto.

O conceito comunicação

O conhecimento científico sobre a comunicação desenvolveu-se durante o século XX e ainda hoje é um tema pertinente em investigação. Em toda esta temática salienta-se a importância da comunicação entre os indivíduos, o ser humano é um ser em acção; não agem em função das coisas mas do significado que as coisas tomam no processo da comunicação, assim faz todo o sentido a investigação à volta do tema.
Ao longo do século XX, a pesquisa científica desenvolveu-se em diferentes contextos, a comunicação aparece como área específica e campo científico. Na década de 1950, (Schramm, 1964, p. 10). Refere o interesse demonstrado pela comunicação em diferentes áreas do saber. Esse mesmo autor, apresenta os quatro “pais fundadores” da pesquisa em comunicação nos Estados Unidos: dois deles são psicólogos, um é sociólogo e o outro cientista político. O autor refere que os investigadores tinham formação em outros campos do saber – já que o campo da comunicação estava a nascer.
Existe imensa literatura científica sobre o tema comunicação em diversas ciências, desde as exactas às técnicas de relacionamento interpessoal até as ciências sociais. A comunicação continua a ser um campo de estudos nas várias disciplinas científicas constituídas.
A Escola de Palo Alto ou Colégio Invisível foi o nome atribuído a um grupo de investigadores americanos oriundos das mais variadas áreas de saber, para quem o receptor teria um papel tão importante como o emissor em todo o processo da comunicação.
O ser humano é um ser social, em interacção que poderá assumir papéis passivos ou agressivos, em qualquer dos casos são formas de diálogo, mesmo que os interlocutores não estejam de acordo.
O Interaccionismo teve origem no behaviorismo, para tentar compreender os comportamentos relacionais entre os indivíduos e os seus reflexos na sociedade, a tendência em abordar o comportamento humano de forma racional vem de certa forma dificultar esta compreensão.

A Escola de Palo Alto

Inicia-se na América com George Mead (1934), Professor na Universidade de Chicago, que entende a comunicação/ interacção como uma convergência entre o indivíduo, a mente e a sociedade, partindo do individual para o organizacional, para compreender as relações das organizações entre si, a sociedade constrói-se a partir das interacções entre os actores sociais, processo que se constitui de forma simbólica através da comunicação. A comunicação não é mais do que símbolos, que estruturam a interacção entre os indivíduos por sua vez portadores de valores.
O Interaccionismo Simbólico assenta nos símbolos, linguagem e pensamento. O simbólico é o sentido e significado que cada um dá às suas acções. Para além dos significados/símbolos é a linguagem que permite aos indivíduos expressarem os seus símbolos os quais são percepcionados e/ou alterados através do pensamento. Os interaccionistas fundamentam as suas ideias em conceitos tais como: o ser humano é um ser em acção; a natureza dessa acção é um resultado de um processo de interpretação; a acção de cada indivíduo influencia o outro. A clareza da comunicação e o mesmo tipo de simbologia e de linguagem podem de certa forma minimizar situações de conflito.
A comunicação é fundamental para a compreensão do comportamento humano e das relações entre si, não é possível dissociá-la da Escola de Palo Alto, não é possível viver sem comunicar.
Bibliografia:
COSTA, E.; MATOS, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta.

Relações Interpessoais

Teoria da vinculação

A teoria da vinculação surge como forma de explicar problemas que a psicanálise limitou, ou seja, a influência do meio e das experiências do indivíduo que influíram positiva ou negativamente na sua personalidade.
A convergência destas duas teorias assenta nas seguintes crenças: a influência da família, o modo com interage com o meio e o (in)sucesso das suas experiências reais, na formação da personalidade das crianças.
As ciências biológicas e sociais e a valorização do empirismo contribuem nesta perspectiva.
Na teoria da vinculação há que considerar o conceito de “base segura”, em que a exploração do meio é baseada na curiosidade e descoberta, simultaneamente a criança aprende mas também se adapta às mudanças, fazendo evoluir a sua personalidade, acontecendo o mesmo na fase da adolescência e adulta.
Por exemplo, a escola pode constituir-se como exploração positiva ou negativa, caso o aluno não se adapte e a considere uma “fobia”. As situações estranhas podem ser fácil ou dificilmente ultrapassáveis.
Outro aspecto a ter em conta é o dos “modelos internos dinâmicos”, isto é, o indivíduo interage criando representações de si próprio ou dos outros, mas também ele assume estratégias de acção, aceitando, transformando, revendo, rejeitando ou complementando informações/aprendizagens.
Quanto mais desenvolvida for a sua personalidade, mais a sua actuação e escolhas serão conscientes, seja qual for o(s) contexto(s) ou perante os sujeitos com que interage (relações interpessoais).
As relações potencializam a parte emocional. Daí, a necessidade de uma boa relação, incluindo a de professor/aluno e entre os pares, falando de contexto escolar. Um bom ambiente relacional influi nas aprendizagens e na (in)satisfação do professor face à sua profissão.
Outros factores de risco ligam-se a situações de pobreza, maus-tratos negligência, ausência de cuidados essenciais (Costa e Matos:57). Factores “protectores, compensatórios ou desafiantes”, citados pelas mesmas autoras de outros autores, poderão ser formas de lutas perante estas adversidades – o nome dado ao processo que combate à adversidade é a resiliência. Aqui a escola/o professor poderá ter também um papel imprescindível de ajuda, seja em crianças com dificuldades de aprendizagem ou com outros problemas sociais (marginalização, baixa-autoestima).
A família e a escola têm de estar de boas relações, no sentido de cada um simultaneamente constituírem-se como vinculadores exemplares para a criança/jovem, criando ambiente seguros, organizados, autónomos e conectados.
O desenvolvimento pessoal e social do professor é indispensável, no sentido de se ultrapassarem obstáculos, se reflectirem práticas e a interacção crie um ambiente propicio ao desenrolar do processo ensino-aprendizagem.

Costa, E.; Matos, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Relações Interpessoais

Afiliação

Muitas investigações se tem realizado, tendo como objecto de estudo a afiliação, cujo significado se relaciona com “agremiação” ou “agregação social”, contrapondo com a noção de “isolamento”.
O estudioso Stanley Schachter (1959), citado por Neto (2000), partiu da ideia de que os seres humanos sentiam a necessidade de se afiliarem quando sentiam medo.
Após várias experiências, chegou-se à conclusão que a afiliação era motivada por factores como:
- medo;
- ansiedade;
- redução do stress;
- alternativa de reacção perante problemas;
- protecção/ajuda perante a situações novas;
- etc.
Todavia, existem aspectos que podem reduzir a probabilidade de afiliação como é o caso de:
-situações embaraçosas nas quais o indivíduo possa vir a estar envolvido;
-preferência pela privacidade, perante condições/atitudes que podem resultar negativas.
Um estudo demonstrou que, nas famílias, os filhos primogénitos tinham mais tendência para se afiliarem do que os nascidos posteriormente, devido ao facto dos pais terem maior preocupação no nascimento do primeiro filho (facto natural) por ser “novidade” e isso reflecte-se no tipo de relacionamento. Também porque os filhos mais novos vêem os irmãos como “protectores” ou mais “íntimos” do que propriamente os pais e sentem que todos contribuem para o seu bem-estar, eduzindo a ansiedade.
Em conformidade com Robert Weiss (1974), citado por Neto (2000), as relações sociais fornecem ao sujeito:
- vinculação: relações íntimas que geram segurança e conforto;
- integração social: sentimento de pertença a uma comunidade;
-certeza restabelecida de valor: reconhecimento de competência e valores pelos outros;
-sentimento de aliança consistente: certeza de obter ajuda por parte de quem nos é próximo;
-obtenção de encaminhamentos: obtenção de informações ou conselhos por parte de especialistas em determinadas áreas (saúde, educação…);
-oportunidade de educação: responsabilidade pelo bem-estar de outra pessoa.
Também salienta-se que a socialização traz vantagens e uma só relação não preenche todas as nossas necessidades. Por exemplo, a família dá-nos afectividade mas temos que procurar outros relacionamentos para termos uma afectividade mais extensiva, como é o caso da relação de namorados e/ou casamento. Por outro lado, tal como o autor refere, uma relação amorosa pode trazer o sentimento de vinculação mas não o de pertença a uma comunidade.
A afiliação pode originar relações de interesses positiva ou negativamente, ou seja, poderá ser um meio de realização pessoal, mas se se deixar influir por obsessões como a do poder terá consequências desastrosas para o indivíduo, a nível mental ou físico, levando à destruição de relações humanas.

- Neto, F. (2000). Psicologia Social (vol.II). Lisboa: Universidade Aberta.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sociedade actual

Para reflectir:

O suicídio moral da Humanidade, o esquecer da ética e a importância da estética.
Um convite à reflexão, para que cada um retire a sua própria conclusão.

http://video.bugun.com.tr/bugunPlayer.swf?file=dagilfilm.flv

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A família e a escola

Abordagem sistémica do conflito

A família e a escola têm de estar de boas relações

A teoria da vinculação surge como forma de explicar problemas que a psicanálise limitou, ou seja, a influência do meio e das experiências do indivíduo que influíram positiva ou negativamente na sua personalidade.
A convergência destas duas teorias assenta nas seguintes crenças: a influência da família, o modo com interage com o meio e o (in)sucesso das suas experiências reais, na formação da personalidade das crianças.
As ciências biológicas e sociais e a valorização do empirismo contribuem nesta perspectiva.
Na teoria da vinculação há que considerar o conceito de “base segura”, em que a exploração do meio é baseada na curiosidade e descoberta, simultaneamente a criança aprende mas também se adapta às mudanças, fazendo evoluir a sua personalidade, acontecendo o mesmo na fase da adolescência e adulta.
Por exemplo, a escola pode constituir-se como exploração positiva ou negativa, caso o aluno não se adapte e a considere uma “fobia”. As situações estranhas podem ser fácil ou dificilmente ultrapassáveis.
Outro aspecto a ter em conta é o dos “modelos internos dinâmicos”, isto é, o indivíduo interage criando representações de si próprio ou dos outros, mas também ele assume estratégias de acção, aceitando, transformando, revendo, rejeitando ou complementando informações/aprendizagens.
Quanto mais desenvolvida for a sua personalidade, mais a sua actuação e escolhas serão conscientes, seja qual for o(s) contexto(s) ou perante os sujeitos com que interage (relações interpessoais).
As relações potencializam a parte emocional. Daí, a necessidade de uma boa relação, incluindo a de professor/aluno e entre os pares, falando de contexto escolar. Um bom ambiente relacional influi nas aprendizagens e na (in)satisfação do professor face à sua profissão.
Outros factores de risco ligam-se a situações de pobreza, maus-tratos negligência, ausência de cuidados essenciais (Costa e Matos:57). Factores “protectores, compensatórios ou desafiantes”, citados pelas mesmas autoras de outros autores, poderão ser formas de lutas perante estas adversidades – o nome dado ao processo que combate à adversidade é a resiliência. Aqui a escola/o professor poderá ter também um papel imprescindível de ajuda, seja em crianças com dificuldades de aprendizagem ou com outros problemas sociais (marginalização, baixa-autoestima).
A família e a escola têm de estar de boas relações, no sentido de cada um simultaneamente constituírem-se como vinculadores exemplares para a criança/jovem, criando ambiente seguros, organizados, autónomos e conectados.
O desenvolvimento pessoal e social do professor é indispensável, no sentido de se ultrapassarem obstáculos, se reflectirem práticas e a interacção crie um ambiente propicio ao desenrolar do processo ensino-aprendizagem.

Costa, E.; Matos, P. (2007). Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta.

Um exemplo de educação integradora
Ensinar é partilhar ideias, valores e vivências. Estimular o espírito crítico, contribuir para a formação de pessoas completas, capazes de mudar o mundo e criar uma sociedade de sucesso mais justa e mais feliz.
Quando a Escola vem para a rua, fica mais perto de alcançar os ideais de uma educação integradora, aproximando em simultâneo os pais e restante comunidade.
Resumo-fotografico-da-Feira-do-Sec-XIX-em-Pedrogao-Grande

quarta-feira, 31 de março de 2010

O Portefólio na aprendizagem

Reflexão

A Importância do Portefólio na aprendizagem e na construção da sociedade com futuro.

O Portefólio é, dos instrumentos mais completos, de avaliação do aluno pelo Professor.
Permite a realização de trabalhos a partir de várias fontes de informação (livros, Net) é permitido ao aluno a qualquer altura escolher o que mais o interessou e motivou é-lhe permitido reflectir sobre o que mais o marcou e interessou.
Dá lugar à criatividade por um lado ou à inibição por outro, existe sempre o reverso da medalha, mas no fundo é uma prática que deverá ser desenvolvida, porque desinibe, incentiva a criatividade, a escolha e os interesses, será um contributo para o aumento do conhecimento que se quer de qualidade. Os mais inibidos aprendem desde cedo a desdramatizar e a sentir-se à vontade sem medo em expressar o que sente, o que quer e acima de tudo a interessar-me por temas sobre os quais tem de reflectir logo tem de os explorar, a motivação pelo aprender aumentará.
Permite uma maior diversidade de temas que vão ao encontro do interesse de cada um, que poderão ser direccionados para o aumento e interesse do conhecimento científico e tecnológico, melhora a expressão e a produção de texto, factor que contribuirá para o sucesso escolar de qualquer aluno.
A originalidade, a curiosidade são também privilegiados com esta forma de avaliar, o aprender não é apenas “empinar” conhecimentos transmitidos, mas têm de ser apreendidos, compreendidos, para poderem ser reflectidos. Os trabalhos partem de leituras, pesquisas diversas, a que o aluno terá de dar a importância e profundidade que o motivou para o tema, por estarem de acordo com os seus interesses e curiosidade, logo a curiosidade e originalidade serão desenvolvidos com este instrumento avaliativo.
O empenho em mostrar e criar o produto do seu trabalho sob a forma de portefólio, que não será apenas o dossier tradicional arquivador de documentos, aqui o aluno escolherá os que fazem mais sentido. É possível ao professor conhecer melhor o aluno, o seu nível de curiosidade, por aquilo que leu , visitou, explorou e a interpretação que dessas pesquisas fez, este modo avaliativo é mais real, não será a solução para os problemas que se vivem no ensino e no sistema educativo, mas será certamente uma ferramenta que bem utilizada dará frutos no futuro.
Alguns alunos sentir-se-ão frustrados, no final com o trabalho realizado em especial se o comparem com o de colegas mais empenhados, mas talvez seja um estímulo ao empenhamento de cada um, leve à procura da partilha, desenvolva o espírito colaborativo, se bem conduzido nesse sentido.
O Mundo funciona em colaboração, cada vez mais competitivo, mas cada mais globalizado, ninguém vive sozinho, quer queiram quer não a partilha e o trabalho de equipa tem de ser fomentado desde cedo, para se conseguir uma sociedade de excelência no futuro.
A escola e o conhecimento, são por excelência os motores do desenvolvimento que se quer sustentado.
Manuela Pereira

O QUE É UM PORTEFÓLIO

O que é o portfólio?

PORTEFÓLIO

Documento organizado e planeado pelo autor.
Segundo Bernardes (2007:28-29) poderemos falar de dois tipos de portefólio o de apresentação e o de aprendizagem, a autora salienta a importância de ambos no processo ensino-aprendizagem de qualquer aluno, referindo a mais-valia do último na valorização dos processos de aprendizagem, tanto ou mais do que dos respectivos produtos.
O Portefólio reveste-se de carácter dinâmico, reflexivo, globalizante, potencia os pontos fortes, a problematização e a selectividade dos assuntos. É um trabalho que requer meditação e reflexão pessoal acerca das aprendizagens conseguidas, contribui para aperfeiçoamento e organização do pensamento, está sempre em construção e em reestruturação e por isso a sua realização será ao longo de um determinado processo, sobre determinada temática.
Instrumento de apoio aos professores, os portefólios são dispositivos que ampliam e diversificam o trabalho e aprendizagem dos alunos, estimulam o pensamento reflexivo, a competência de organização e de tomada de decisão fundamentada, a capacidade de auto-avaliação, e de sistematização dos percursos de construção da aprendizagem.
Instrumento promotor de uma avaliação formativa, participativa, dos alunos na construção das suas aprendizagens e das suas formações, e na escolha de caminhos. Apresenta coerência com as experiências de aprendizagem, são apenas seleccionados os trabalhos mais significativos pelo próprio, a diversidade de trabalhos será sempre acompanhados de reflexões e com carácter dinâmico. Coloca assim o aluno/formando no centro da aprendizagem.
O Portefólio apresenta algumas potencialidades: Flexibilidade (respeita diversos estilos de aprendizagem); Valorização pessoal (permite potencializar pontos fortes); Continuidade (dá acesso à evolução); Globalidade (atende a uma visão global); Carácter dialógico (trabalho próximo e negociado); Favorece a reflexão e a metacognição (e como tal a auto-regulação); Visibilidade (torna explícita a relação entre currículo prescrito, implementado e avaliado).
Segundo Bernardes (2007:25), o portefólio tem uma lógica de avaliação, levando ao desenvolvimento de competências, ao “definir objectivos e metas; criar estratégias; escolher meios; reavaliar todo o processo; avaliar aprendizagens; avaliar o progresso, as aquisições e as lacunas das aprendizagens/competências; Analisar e reflectir sobre a informação/avaliação das aprendizagens/competências; Escolher os documentos a inserir no portefólio; ratificar metas e critérios de avaliação”.
Amostra diversificada e representativa de trabalhos realizados ao longo de um período amplo de tempo, que cubra a abrangência, a profundidade e o desenvolvimento conceptual.

Manuela Pereira
Referências Bibliográficas
Pinto, J. & Santos, L. (2006). Modelos de Avaliação das Aprendizagens. Lisboa: Universidade Aberta.
BERNARDES, C. e al (2007). PORTEFÓLIO Uma escola de Competências. Porto: Porto Editora.

domingo, 28 de março de 2010

Chimamanda Adichie: O perigo da história única


As nossas vidas, as nossas culturas, são compostas por muitas histórias sobrepostas. A romancista Chimamanda Adichie conta a história de como descobriu a sua voz cultural - e adverte que se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, arriscamos um desentendimento crítico.

O perigo da história única - O Filme

Eu sou uma contadora de histórias. E gostaria de vos contar algumas histórias pessoais sobre aquilo que gosto de chamar "o perigo da história única". Eu cresci num campus universitário na parte oriental da Nigéria. A minha mãe diz que comecei a ler aos dois anos, embora eu pense que aos quatro provavelmente esteja perto da verdade. Por isso eu fui uma leitora precoce. E o que eu li eram livros para crianças Britânicos e Americanos.

Eu fui também uma escritora precoce. E quando comecei a escrever, por volta dos sete anos, histórias a lápis com ilustrações a lápis de cor que a minha pobre mãe era obrigada a ler, eu escrevia exactamente o tipo de histórias que eu lia. Todas as minhas personagens eram brancas e de olhos azuis. Brincavam na neve. Comiam maçãs. E falavam muito do tempo, como era maravilhoso o sol ter aparecido. Isto, apesar do facto de eu viver na Nigéria. Nunca tinha estado fora da Nigéria. Nós não tínhamos neve. Nós comíamos mangas. E nós nunca falávamos do tempo, porque não havia necessidade.

As minhas personagens também bebiam muita cerveja de ginja porque as personagens dos livros Britânicos que eu lia bebiam cerveja de ginja. Não importava que eu não tivesse ideia do que cerveja de ginja fosse. E por muitos anos, eu tive o desejo desesperado de provar cerveja de ginja. Mas isso é outra história.

O que isto demonstra, penso eu, é o quão impressionáveis e vulneráveis somos face a uma história, particularmente as crianças. Porque tudo que tinha lido eram livros em que as personagens eram estrangeiras, eu convenci-me que os livros, pela sua própria natureza, tinham de incluir estrangeiros, e tinham de ser sobre coisas com as quais não podia pessoalmente identificar-me. Bem, as coisas mudaram quando descobri livros Africanos. Não havia muitos disponíveis. E eles não eram tão fáceis de encontrar como os livros estrangeiros.

Mas devido a escritores como Chinua Achebe e Camara Laye eu passei por uma mudança mental na minha percepção da literatura. Apercebi-me que pessoas como eu, raparigas com a pele cor de chocolate, cujo cabelo estranho não podia formar rabos-de-cavalo, também podiam existir na literatura. Comecei a escrever sobre coisas que reconhecia.

Bem, eu amava aqueles livros Americanos e Britânicos que lia. Eles agitaram a minha imaginação. Eles abriram novos mundos para mim. Mas a consequência não intencional foi que eu não sabia que as pessoas como eu podiam existir na literatura. Então o que a descoberta de escritores Africanos fez por mim foi isto: Salvou-me de ter uma história única daquilo que os livros são.

Eu venho de uma família Nigeriana, convencional de classe-média. O meu pai era professor. A minha mãe era administradora. Por isso nós tínhamos, como era a norma, ajuda doméstica a viver em casa, que frequentemente vinha de vilas rurais próximas. Por isso no ano em que fiz oito anos arranjámos um novo rapaz de recados. O nome dele era Fide. A única coisa que a minha mãe nos disse sobre ele foi que a família dele era muito pobre. A minha mãe mandava inhames e arroz, e as nossas roupas velhas, à família dele. E quando eu não terminava o meu jantar a minha mãe dizia, "Acaba a tua comida! Tu não sabes? Pessoas como a família do Fide não têm nada.". Por isso eu sentia enorme piedade pela família do Fide.

Então um Sábado fomos à vila dele fazer uma visita. E a mãe dele mostrou-nos um cesto com um padrão lindo, feito de ráfia seca, que o irmão dele tinha feito. Eu fiquei atónita. Não me tinha ocorrido que alguém da família dele pudesse de facto criar algo. Tudo o que tinha ouvido sobre eles era o quão pobres eram, de forma que se tinha tornado impossível para mim vê-los como algo além de pobres. A sua pobreza era a minha história única sobre eles.

Anos mais tarde, pensei sobre isto quando deixei a Nigéria, para ir para a universidade nos Estados Unidos. Eu tinha 19 anos. A minha companheira de quarto americana ficou chocada comigo. Ela perguntou onde eu tinha aprendido a falar Inglês tão bem, e ficou confusa quando disse que a Nigéria por acaso tinha o Inglês como língua oficial. Ela perguntou se podia ouvir aquilo a que chamou a minha "música tribal", e ficou consequentemente muito desapontada quando eu desencantei a minha cassete da Mariah Carey. Ela presumiu que eu não sabia como se usava um fogão.

O que me espantou foi isto: Ela tinha sentido pena de mim mesmo antes de me ter visto. A sua posição base em relação a mim, enquanto Africana, era uma espécie de piedade paternalista bem intencionada. A minha companheira de quarto tinha uma história única de África. Uma história única de catástrofe. Nesta história única não havia possibilidade de Africanos serem semelhantes a ela, de forma alguma. Nenhuma possibilidade de sentimentos mais complexos que a piedade. Nenhuma possibilidade de uma conexão entre humanos iguais.

Devo dizer que antes de ir para os Estados Unidos eu não me identificava conscientemente como Africana. Mas nos Estados Unidos sempre que África surgia as pessoas voltavam-se para mim. Não importava que eu nada soubesse sobre locais como a Namíbia. Mas eu acabei por abraçar esta nova identidade. E de muitas formas eu penso em mim mesma agora como Africana. Embora ainda me irrite bastante quando África é referida como um país. Sendo o exemplo mais recente o meu em tudo o resto maravilhoso voo de Lagos à dois dias, no qual havia um anúncio no voo da Virgin sobre o trabalho de caridade na "Índia, África e outros países".

Então depois de ter estado vários anos nos Estados Unidos como Africana, comecei a perceber a reacção da minha companheira de quarto para comigo. Se eu não tivesse crescido na Nigéria, e se tudo que eu soubesse sobre África fosse de imagens populares, também eu pensaria que a África era um local de belas paisagens, belos animais, e pessoas incompreensíveis, lutando guerras sem sentido, morrendo de pobreza e SIDA, incapazes de falar por si mesmas, e esperando ser salvas, por um meigo, estrangeiro branco. Eu veria os Africanos da mesma forma que eu, enquanto criança, tinha visto a família do Fide.

Esta história única de África vem em última análise, penso eu, da literatura ocidental. Agora, aqui está uma citação da escrita de um mercador londrino chamado John Locke, que navegou até ao oeste de África em 1561, e manteve uma descrição fascinante da sua viagem. Depois de se referir aos Africanos negros como "as bestas que não não têm casas", escreve, "Eles são também pessoas sem cabeças, tendo a sua boca e olhos nos seios".

Bem, eu rio-me sempre que leio isto. E temos de admirar a imaginação de John Locke. Mas o que é importante sobre esta escrita é que representa o início de uma tradição em contar histórias Africanas no Ocidente. Uma tradição de uma África Subsariana enquanto lugar de negativos, de diferença, de escuridão, de pessoas que, nas palavras do maravilhoso poeta, Rudyard Kipling, são "metade diabo, metade criança".

E então eu comecei a perceber que a minha companheira de quarto Americana devia ter, ao longo da vida, visto e ouvido diferentes versões desta história singular, como tinha um professor, que uma vez me disse que o meu romance não era "autenticamente Africano". Bem, eu estava mais que disposta a aceitar que havia várias coisas erradas com o romance, que eu tinha falhado em vários locais. Mas não havia imaginado que tinha falhado em conseguir algo chamado autenticidade Africana. Na verdade eu não sabia o que autenticidade Africana era. O professor disse-me que as minhas personagens eram demasiado parecidas com ele, um homem com educação e de classe média. As minhas personagens conduziam carros. Elas não estavam famintas. Portanto elas não eram autenticamente Africanas.

Mas eu devo rapidamente somar que também eu sou culpada na questão da história única. À uns anos atrás, visitei o México dos Estados Unidos. O clima político nos Estados Unidos na altura era tenso. E havia debates a decorrer sobre a imigração. E, como muitas vezes acontece na América, a imigração tornou-se sinónimo de Mexicanos. Havia histórias infindáveis de Mexicanos enquanto pessoas fugindo ao sistema de saúde, infiltrando-se pela fronteira, sendo presas na fronteira, esse tipo de coisa.

Lembro-me de andar no meu primeiro dia em Guadalajara, vendo as pessoas a ir trabalhar, enrolando tortilhas no mercado, fumando, rindo. Lembro-me de primeiro sentir uma breve surpresa. E depois fiquei submersa em vergonha. Apercebi-me de que estava tão imersa na cobertura dos media sobre os Mexicanos que eles se haviam tornado uma só coisa na minha mente, o abjecto imigrante. Eu tinha cedido à história única dos Mexicanos e eu não podia sentir mais vergonha de mim. E é assim que se cria uma história única, mostra um povo como uma coisa, como uma única coisa, vezes sem conta, e é isso que eles se tornam.

É impossível falar sobre a história única sem falar do poder. Há uma palavra, uma palavra malvada, em que penso, sempre que penso sobre a estrutura do poder no mundo, e é "nkali". É um substantivo que livremente se traduz por "ser maior que outro". Como os nossos mundos económico e político, também as histórias se definem pelo princípio do nkali. Como são contadas, quem as conta, quando são contadas, quantas histórias são contadas, estão realmente dependentes do poder.

O poder é a capacidade de não só contar a história de outra pessoa, mas de fazê-la a história definitiva dessa pessoa. O poeta Palestiniano Mourid Barghouti escreve que se queres desapropriar um povo, a forma mais simples de o fazer é contar a sua história, e começar com "Em segundo lugar". Começa a história com as setas dos Nativos Americanos, e não com a chegada dos Britânicos, e terás uma história completamente diferente. Começa a história com o fracasso do estado Africano, e não com a criação colonial do estado Africano, e terás uma história totalmente diferente.

Falei recentemente numa universidade onde um estudante me disse que era uma grande pena que os homens Nigerianos fossem abusadores como a personagem do pai no meu romance. Eu disse-lhe que tinha acabado de ler um romance chamado "Psicopata Americano" e que era uma grande pena que os jovens Americanos fossem assassinos em série. Bem, obviamente eu disse isto num ataque de leve irritação.

Nunca me tinha ocorrido pensar que apenas porque tinha lido um romance no qual uma das personagens era um assassino em série que ele de alguma forma representaria todos os Americanos. E agora, isto não é porque sou melhor pessoa que o estudante, mas, devido ao poder económico e cultural Americano, eu tinha muitas histórias da América. Eu havia lido Tyler e Updike e Steinbeck e Gaitskill. Não tinha uma história única da América.

Quando soube, há uns anos, que era esperado os escritores que tinham tido infâncias bastante infelizes terem sucesso, comecei a pensar como poderia inventar coisas horríveis que os meus pais me teriam feito. Mas a verdade é que eu tive uma infância muito feliz, cheia de riso e amor, numa família muito unida.

Mas também tive avós que morreram em campos de refugiados. O meu primo Polle morreu porque não teve assistência médica adequada. Um dos meus amigos mais próximos, Okoloma, morreu num desastre de avião porque os nossos camiões dos bombeiros não tinham água. Cresci sob governos militares repressivos que desvalorizavam a educação, de forma que por vezes os meus pais não recebiam os seus salários. E por isso, enquanto criança, vi a geleia desaparecer da mesa de pequeno-almoço, depois desapareceu a margarina, depois o pão ficou muito caro, depois foi o leite que teve de ser racionado. E mais que tudo, um medo político normalizado invadiu as nossas vidas.

Todas estas histórias fazem de mim quem eu sou. Mas insistir apenas nestas histórias negativas é planar a minha experiência, e esquecer tantas outras histórias que me formaram. A história única cria estereótipos. E o problema com os estereótipos não é eles serem mentira, mas eles serem incompletos. Eles fazem uma história tornar-se a única história.

Claro que a África é um continente cheio de catástrofes. Há as que são imensas, como as horripilantes violações no Congo. E há as deprimentes, como o facto de 5,000 pessoas se candidatarem para uma única vaga de emprego na Nigéria. Mas há outras histórias que não são sobre catástrofe. E é muito importante, é igualmente importante falar sobre elas.

Sempre senti que é impossível relacionar-me adequadamente com um lugar ou uma pessoa sem me relacionar com todas as histórias desse lugar ou pessoa. A consequência da história única é isto: rouba as pessoas da sua dignidade. Torna o reconhecimento da nossa humanidade partilhada difícil. Enfatiza o quanto somos diferentes em vez do quanto somos semelhantes.

E se antes da minha viagem Mexicana eu tivesse seguido o debate sobre a imigração das duas perspectivas, dos Estados Unidos e do México? E se a minha mãe nos tivesse contado que a família do Fide era pobre e trabalhadora? E se nós tivéssemos uma rede televisiva Africana que divulgasse diversas histórias Africanas para todo o mundo? O que o escritor Nigeriano Chinua Achebe chama "um equilíbrio de histórias".

E se a minha companheira de quarto soubesse do meu editor Nigeriano, Mukta Bakaray, um homem notável que deixou o seu emprego num banco para seguir o seu sonho e começar uma editora? Bem, a sabedoria popular ditava que os Nigerianos não lêem literatura. Ele discordava. Ele sentia que as pessoas que podiam ler, iriam ler, se a literatura fosse tornada acessível e disponível para eles.

Pouco depois dele ter publicado o meu primeiro romance eu fui a uma estação de televisão em Lagos para ser entrevistada. E uma mulher que trabalhava como mensageira lá veio até mim e disse-me, "Eu gostei muito do seu romance. Não gostei do final. Agora tem de escrever uma sequela, e é isto que vai acontecer..." E continuou dizendo-me o que escrever na sequela. Não fiquei apenas encantada, fiquei muito comovida. Aqui estava uma mulher, parte das massas comuns de Nigerianos, que não era suposto serem leitores. Ela não tinha apenas lido o livro, tinha até tomado posse dele e sentia-se no direito de me dizer o que escrever na sequela.

Bem, e se a minha companheira de quarto soubesse da minha amiga Fumi Onda, uma mulher intrépida que é anfitriã de um programa televisivo em Lagos, e que está determinada em contar as histórias que preferíamos esquecer? E se a minha companheira de quarto soubesse da cirurgia ao coração que foi levada a cabo no hospital de Lagos na semana passada? E se a minha companheira de quarto soubesse da música Nigeriana contemporânea? Pessoas talentosas cantando em Inglês e Pidgin, e Igbo e Yoruba e Ijo, misturando influências de Jay-Z a Fela de Bob Marley aos seus avós. E se a minha companheira de quarto soubesse da advogada que recentemente foi a tribunal na Nigéria desafiar uma lei ridícula que exigia que as mulheres tivessem o consentimento dos maridos antes de renovar os seus passaportes? E se a minha companheira de quarto conhecesse Nollywood, cheio de pessoas inovadoras fazendo filmes apesar de grandes questões técnicas? Filmes tão populares que são na verdade o melhor exemplo dos Nigerianos a consumir o que produzem. E se a minha companheira de quarto soubesse da minha magnificamente ambiciosa entrançadora de cabelo, que acaba de começar o seu próprio negócio vendendo extensões de cabelo? Ou sobre os milhões de outros Nigerianos que começam os seus negócios e por vezes fracassam, mas continuam a albergar ambição?

Sempre que estou em casa sou confrontada com as fontes habituais de irritação pela maioria dos Nigerianos: a nossa infraestrutura falhada, o nosso governo fracassado. Mas também pela incrível resistência de pessoas que florescem apesar do governo, em vez de devido a ele. Ensino workshops de escrita em Lagos todos os Verões. E é extraordinário para mim o número de pessoas que se inscrevem, quantas pessoas estão ansiosas por escrever, por contar histórias.

O meu editor Nigeriano e eu acabamos de começar uma não-lucrativa chamada Fundo Farafina. E temos grandes sonhos de construir bibliotecas e renovar bibliotecas que já existem, e providenciar livros a escolas estatais que nada têm nas suas bibliotecas, e também de organizar muitos e muitos workshops, de leitura e escrita, para todas as pessoas que estão ansiosas por contar as nossas muitas histórias. As histórias importam. Muitas histórias importam. As histórias têm sido usadas para desprover e tornar maligno. Mas as histórias também podem ser usadas para potenciar e para humanizar. As histórias podem quebrar a dignidade de um povo. Mas as histórias também podem reparar essa dignidade quebrada.

A escritora Americana Alice Walker escreveu isto sobre os seus parentes sulistas que se mudaram para norte. Ela apresentou-os a um livro sobre a vida sulista que eles haviam deixado para trás. "Eles sentaram-se em volta, lendo eles mesmos o livro, ouvindo-me ler o livro, e uma espécie de paraíso foi reconquistado". Eu gostaria de terminar com este pensamento: Que quando rejeitamos a história única, quando nos apercebemos que nunca há uma história única sobre nenhum lugar, reconquistamos uma espécie de paraíso. Obrigada.

Chimamanda Adichie